Home / Saúde | 05/02/2026 - 11:00
O Hospital Regional Dr. Leopoldo Bevilacqua, em Pariquera-Açu-SP, deu um passo importante nessa terça-feira (03/02), ao implantar duas unidades da UTI Neon – UTI Neonatal Neurológica Digital. A iniciativa transforma o cenário da assistência neonatal na região, colocando o Hospital entre as instituições mais avançadas do país no cuidado com recém-nascidos de alto risco.
A chegada dessa solução representa um avanço fundamental diante de um problema de grande impacto em saúde pública. De acordo com dados oficiais da Protecting Brains & Saving Futures, estima-se que entre 20 e 30 mil bebês nasçam anualmente no Brasil com asfixia perinatal, condição que, quando não diagnosticada e tratada precocemente, pode levar ao óbito ou a sequelas neurológicas graves. Somam-se a esse cenário os mais de 340 mil nascimentos prematuros por ano e cerca de 26 mil crianças cardiopatas, grupos que também apresentam alto risco de comprometimento neurológico.
Grande parte dessas lesões ocorre de forma silenciosa, sem sinais clínicos evidentes, o que torna a detecção precoce de alterações cerebrais um fator decisivo para a sobrevida e a qualidade de vida desses recém-nascidos.
Monitoramento cerebral contínuo e decisão clínica mais precisa
A UTI Neon – UTI Neonatal Neurológica Digital é um programa de saúde digital desenvolvido pela Protecting Brains & Saving Futures (PBSF), que permite o monitoramento cerebral contínuo, 24 horas por dia, sete dias por semana, por meio de tecnologia avançada capaz de identificar crises convulsivas e alterações da função cerebral que, em média, 80% das crises são subclínicas, ou seja, não são perceptíveis a olho nu.
Além do monitoramento local, os dados são analisados remotamente por uma Central de Vigilância e Inteligência (CVI), formada por especialistas, garantindo suporte contínuo à equipe assistencial da Hospital Regional Dr. Leopoldo Bevilacqua e decisões clínicas mais rápidas e assertivas.
Integração com a hipotermia terapêutica
A tecnologia também é fundamental para a correta indicação e acompanhamento da hipotermia terapêutica, tratamento considerado padrão ouro nos casos de asfixia perinatal. O procedimento consiste na redução controlada da temperatura corporal do recém-nascido, que deve ser iniciado antes das seis primeiras horas de vida, mantido por 72 horas, com temperatura entre 33 e 34 graus, seguido de reaquecimento lento e monitorado. Os resultados associados a esse modelo de cuidado são expressivos, com aumento de 65% na chance de sobrevida normal, sem sequelas neurológicas, além de uma redução de 32% no risco de dano neurológico grave e um crescimento de 61% na sobrevida livre de paralisia cerebral, indicadores que reforçam a efetividade da integração entre tecnologia, monitoramento contínuo e protocolos avançados de neuroproteção, como a hipotermia terapêutica.
O Dr. Gabriel Variane, fundador da PBSF, ressalta que “Proteger o cérebro significa proteger o futuro. Cada intervenção precoce representa não apenas uma vida salva, mas uma vida com mais qualidade, autonomia e potencial”.
Capacitação
Na última terça-feira, 03 de fevereiro de 2026, enfermeiros, técnicos de enfermagem, médicos e fisioterapeutas da UTI Neonatal do Hospital Dr. Leopoldo Bevilacqua participaram de uma capacitação conduzida pelos profissionais da PBSF, Dr. Nicolas Rodrigues e a enfermeira Sabrina Zalunche.
A atividade foi estruturada em três etapas: abordagem teórica, demonstração do uso dos equipamentos em boneco e prática assistida, com o início do monitoramento em um bebê de 1 mês de vida que segue em tratamento intensivo, demonstrando força e evolução em sua trajetória de cuidado, carinho, profissionalismo e dedicação total da equipe da UTI Neonatal.
Saúde - 05/02/2026 | 11:00